Aos 33 anos, com carreira estabelecida e vida aparentemente encaminhada como manda a norma, não conseguia superar este dissabor constante que por vezes me engolia numa apatia paralisante. Sempre fui insatisfeita por natureza, talvez devido ao meu perfeccionismo crónico e à vontade de ser sempre mais e melhor.
“És demasiado exigente contigo mesma”, dizem uns.
“Deve-se certamente ao teu signo virginiano”, dizem outros…
Eu não contesto, talvez todos tenham razão.
E, já agora, quero deixar bem claro desde o início: não me encontro curada, nem espero algum dia estar. Isto não é uma história do tipo “o pole dance salvou-me”. Não há aqui curas milagrosas, nem o pole é solução para mal algum.
Na verdade, o pole traz mais mazelas do que outra coisa. Por mais que se treine, a força nunca é suficiente, a flexibilidade nunca chega, a pele fica marcada, o corpo inteiro dói…
É um desporto exigente, por vezes ingrato, que nos empurra para uma luta constante — às vezes só para um centímetro.
No entanto, sou profundamente grata à Andreia de 33 anos que, naquela tarde em que chorava na cama, decidiu inscrever-se impulsivamente numa aula experimental para esse mesmo dia.
Não sei que processo químico estranho é este, mas foi como se a minha insatisfação encontrasse finalmente um propósito ou direção — e me deixasse, finalmente, em paz.
Mas isto não é sobre mim, nem a minha jornada com o pole será, certamente, igual à de outras. O que vos posso garantir, é que lá encontrei pessoas que partilham uma paixão tão intensa e inexplicável como a minha (ou maior) por este desporto. Cada uma com a sua jornada, cada uma com o seu “processo químico estranho”.
Todas lutadoras. Todas, verdadeiras forças da natureza.
É nelas que nasce a inspiração para este projeto: na vontade de criar uma plataforma que as acolha, que crie novas formas de as celebrar e que ajude a divulgar esta paixão a quem ousar experimentar.
No parágrafo anterior mencionei como o pole dance pode ser “violento” para o corpo. Mas afinal, para quem é o pole dance? Certamente só para aqueles com um físico mais apto, que treinaram a vida toda… Certo? Errado.
E isso foi algo que me surpreendeu verdadeiramente quando comecei. Nas aulas vemos de tudo: todos os géneros, todas as idades, todas as formas e feitios. E todos majestosos e elegantes na sua prática. Uma autêntica celebração do corpo e do ser.
E eu, que sempre fui descontente em relação ao meu, vi-me aos poucos a aceitá-lo. A apreciá-lo, até.
Também o próprio pole tem diferentes formas de expressão, consoante a variante: o exótico, para quem procura sensualidade; o desportivo, para quem gosta de se desafiar; o artístico, para quem tem uma história para contar.
Confesso que não conheço todas as vertentes que este desporto engloba. Talvez nem o próprio pole as conheça, porque cada dia é uma nova oportunidade de explorar, reinventar e criar novas formas de expressão.
Por isso, desengane-se quem até gostava de experimentar mas acha que não tem perfil para tal.
Há espaço para todos. Há espaço para tudo.
Só não há mesmo é espaço para ficar de fora por medo de não ser, ou não ter “o suficiente”.
Foi também isso que me motivou a criar este projeto: levar o pole a mais gente e quebrar qualquer estigma, qualquer “caixinha” onde este desporto ainda viva na cabeça de muitos.
Deixemo-nos de abstracções. Na prática, o que é a Pole Lab PT?
Tal como o nome indica, é um “laboratório”: um espaço não físico de invenção e reinvenção, que pretende atuar em três vertentes complementares:
Mais do que um serviço, a Pole Lab PT quer ser um ponto de encontro.
Um espaço independente, que não pertence a nenhum estúdio ou entidade em particular — e que, idealmente, pertença a todos. Um lugar onde a comunidade se pode juntar, trocar ideias e criar em conjunto.
Uma plataforma para dar espaço a projetos, incentivar colaborações e apoiar a divulgação do trabalho de praticantes e instituições ligadas ao pole.
A ambição passa também por criar momentos de encontro — reuniões, eventos, conversas — onde esta comunidade possa crescer de forma orgânica.
Outra vertente essencial passa pela criação de experiências.
Desde eventos para quem quer experimentar pela primeira vez, até workshops para praticantes mais avançados, a ideia é tornar o pole mais acessível e presente em diferentes contextos.
Seja num ambiente mais descontraído ou num formato mais estruturado e formativo, o objetivo é sempre o mesmo: criar experiências memoráveis, inclusivas e adaptadas a diferentes níveis.
Desde o início da conceção deste projeto, investir em pódios de pole revelou-se um ponto-chave para o pôr em prática. Pela versatilidade que oferecem, possibilitando a sua montagem em ambientes indoor ou outdoor, de forma relativamente rápida e simples.
Com o tempo, surgiu uma ideia natural: porque não disponibilizá-los também para outros espaços, eventos ou até performers que não tenham o seu próprio equipamento?
E mais, porque não criar também uma ponte entre pole dancers e cliente final, através da prestação de serviços como aulas privadas ou atuações?
Festas privadas, eventos corporativos ou contextos mais inesperados, a ideia é simples:
não só aproximar o pole das pessoas, criando oportunidades para que mais gente tenha contacto com a prática, mas também dar espaço para que pole dancers possam apresentar e partilhar o seu trabalho, em contexto profissional.
Levar as pessoas ao pole — e o pole às pessoas.
A Pole Lab PT nasce deste cruzamento entre pessoas, experiências e possibilidades.
Não nasce com tudo definido, nem é suposto. A ideia é que evolua de forma orgânica, juntamente com a sua comunidade, através da interação, da partilha e da colaboração.
A sua intenção, no entanto, essa é clara: abrir caminhos, criar pontes, incentivar a partilha e desenvolver oportunidades.
Se este projeto te despertou curiosidade, ou se sentiste que alguma parte disto também é tua, então talvez já faças parte.
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Gostávamos muito de te conhecer e de crescer contigo.